Sim. O auxílio para mulher com medida protetiva existe: quando a Justiça afasta a mulher do trabalho, ela continua recebendo renda por até seis meses. O empregador paga os 15 primeiros dias e o INSS, o restante, sem exigir perícia nem carência.
Quer entender se esse direito vale para o seu caso? Conheça as áreas de atuação do escritório e veja como a advocacia previdenciária pode ajudar.
Você conseguiu a medida protetiva. Agora precisa ficar longe do trabalho, porque o agressor sabe exatamente onde você chega todos os dias.
E surge a pergunta que ninguém responde direito: quem paga as suas contas enquanto você está afastada?
Durante anos, essa dúvida obrigou muitas mulheres a escolher entre a segurança e o sustento. A Lei Maria da Penha garantia o afastamento, mas não dizia quem pagaria o salário.
Em outubro de 2026, o governo federal assinou um parecer vinculante que muda esse cenário. A Dra. Tarcila Pacheco, advogada previdenciarista em Recife, resume o impacto:
“Esse é um daqueles casos em que o direito existia no papel, mas a mulher não conseguia acessá-lo. Agora o caminho ficou mais curto, e ninguém deveria ter que escolher entre ficar segura e colocar comida na mesa.”
Se você, uma amiga ou uma familiar vive essa situação, vale entender o que mudou, quem recebe e como pedir. Este guia explica tudo em linguagem simples.
Atualizado em 9 de outubro de 2026.
O que mudou para a mulher com medida protetiva?
A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) permite que o juiz afaste a mulher do local de trabalho por até seis meses, sem perder o emprego. Está no art. 9º, §2º, inciso II.
O problema era que a lei não dizia quem pagaria a renda nesse período. Sem essa resposta, o afastamento ficava só no papel para muita gente.
O Supremo Tribunal Federal (STF) resolveu a questão ao julgar o Recurso Extraordinário 1.520.468. A decisão reconheceu que a medida protetiva também precisa funcionar no bolso: a mulher afastada deve continuar recebendo renda.
Mas a decisão do STF, por si só, obrigava apenas juízes e tribunais. Na prática, cada mulher podia ter que entrar com uma nova ação para receber.
Foi aí que entrou o parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), assinado em 1º de outubro de 2026. Ele passa a valer para toda a administração federal, incluindo o INSS. Os pontos principais são estes:
- a decisão judicial da medida protetiva basta para o INSS pagar, sem nova perícia;
- o INSS só confere se a mulher é segurada da Previdência;
- o atendimento deve ser prioritário e sigiloso;
- o Ministério da Previdência Social e o INSS têm até 15 dias para regulamentar o pagamento, prazo noticiado até 16 de outubro de 2026.
Quem tem direito ao auxílio para mulher com medida protetiva?
Tem direito a mulher vítima de violência doméstica e familiar que obteve, na Justiça, uma medida protetiva determinando o afastamento do local de trabalho.
O ponto central é este: o afastamento precisa estar na decisão do juiz. Ter apenas a medida protetiva de distanciamento do agressor não garante, sozinha, o pagamento.
O direito alcança diferentes situações de trabalho:
- Empregada com carteira assinada: o vínculo é mantido e a renda continua durante o afastamento;
- Contribuinte individual, facultativa e segurada especial: o INSS paga o benefício por todo o período;
- Mulher sem vínculo com a Previdência: o STF previu uma proteção de natureza assistencial.
Para as seguradas, não existe carência. Você não precisa ter contribuído por um número mínimo de meses para ter acesso.
Quem paga o auxílio: o empregador ou o INSS?
Depende do seu tipo de trabalho. A regra definida pelo STF funciona assim:
- Com empregador: a empresa paga os 15 primeiros dias de afastamento, e o INSS paga o restante, como acontece no auxílio por incapacidade temporária (o antigo auxílio-doença);
- Sem empregador (contribuinte individual, facultativa, segurada especial): o INSS paga o benefício integralmente, desde o início;
- Sem vínculo previdenciário: o pagamento tem natureza assistencial. Segundo o governo, o valor sai do estado, do Distrito Federal ou do município indicado pelo juiz.
Há outras garantias importantes. Não há desconto de contribuição previdenciária sobre o valor recebido, e o período conta como tempo de contribuição para a aposentadoria.
E o dinheiro público não fica no prejuízo: o INSS vai cobrar do agressor, por meio de uma ação regressiva (ação para ressarcir o que foi pago), os valores que desembolsou.
Esse auxílio é a mesma coisa que pensão?
Não. É uma confusão comum, porque a palavra “pensão” aparece em muitos benefícios diferentes. Veja a diferença:
- Auxílio para mulher com medida protetiva: é uma renda temporária, de até seis meses, para quem precisa se afastar do trabalho por causa da violência. Vem do empregador e do INSS;
- Pensão alimentícia: é o valor que um dos pais ou um ex-companheiro é obrigado a pagar para sustentar filhos ou, em alguns casos, o outro. É decidida em ação de família e paga por uma pessoa, não pelo INSS;
- Pensão por morte: é um benefício do INSS pago aos dependentes quando o segurado falece. Veja um exemplo no nosso artigo sobre pensão por morte de pessoa desaparecida.
Por isso, os direitos não se misturam. Receber o auxílio da medida protetiva não impede a pensão alimentícia dos filhos, por exemplo. Cada um tem origem, requisitos e responsável diferentes.
Como pedir o auxílio para mulher com medida protetiva?
O caminho começa na Justiça, não no INSS. Em linhas gerais, funciona assim:
- Peça a medida protetiva. Isso pode ser feito na delegacia, na Delegacia da Mulher, na Defensoria Pública ou no Ministério Público. Quem decide é o juiz;
- Peça expressamente o afastamento do trabalho. Informe que não consegue trabalhar com segurança e que precisa da manutenção do vínculo e da renda;
- Com a decisão em mãos, avise o empregador (se houver) e procure o INSS. A regulamentação prevê atendimento prioritário e sigiloso, inclusive pelo Meu INSS;
- Acompanhe a regulamentação. O INSS tem prazo de poucos dias para detalhar o passo a passo, e a rotina de atendimento ainda pode mudar nas próximas semanas.
Se você está em perigo agora, o mais urgente é a sua segurança. Ligue 190 (Polícia Militar) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher, gratuita e sigilosa). O auxílio vem depois, e podemos cuidar dele com calma.
Como comprovar o direito ao benefício?
O principal documento é a decisão judicial. Mas alguns papéis agilizam muito o pedido. Separe, se possível:
- a decisão que concedeu a medida protetiva, com o afastamento do trabalho expresso;
- documento de identidade e CPF;
- a carteira de trabalho ou os contracheques, para quem é empregada;
- as guias de pagamento ao INSS ou o carnê, para contribuinte individual ou facultativa;
- comprovantes da atividade e da renda, para quem trabalha na informalidade e pode ter direito à proteção assistencial.
Se algum documento estiver com o agressor, não se exponha para buscá-lo. Conte ao advogado ou à defensoria: existem formas seguras de recuperar ou substituir esses papéis.
Qual a importância do advogado nesse caso?
Em um momento de medo, pedir um benefício parece uma tarefa impossível. É justamente aí que o acompanhamento faz diferença.
Sem orientação, alguns erros se repetem:
- a medida protetiva sai, mas o afastamento do trabalho não é pedido expressamente ao juiz;
- o pedido chega ao INSS sem a decisão judicial correta ou sem comprovar a qualidade de segurada;
- o empregador não sabe a quem cabe pagar os 15 primeiros dias;
- o prazo e a regulamentação mudam, e a mulher fica sem saber se o benefício foi mesmo concedido.
Com um advogado previdenciarista, o pedido é feito do jeito certo desde o início. Se o INSS demorar ou negar, a defesa já está pronta para agir, inclusive com medidas judiciais.
E a regra é nova: a regulamentação do INSS deve sair nas próximas semanas, e acompanhar cada etapa ajuda a evitar surpresas.
Se esse é o seu caso, fale agora com a equipe da Dra. Tarcila no WhatsApp e conte sua situação com sigilo.
Dica da Dra. Tarcila
“Peça ao juiz o afastamento do trabalho de forma clara, junto com a medida protetiva. Sem essa menção na decisão, fica mais difícil provar ao INSS que você tem direito. E guarde uma cópia da decisão em um lugar seguro, fora de casa.”
Tarcila Pacheco é advogada pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, pós-graduada em Direito Previdenciário pelo ICDs e CEO do escritório Tarcila Pacheco Advocacia, em Recife. É especialista em casos de PCD e planejamento previdenciário.
Perguntas frequentes sobre o auxílio para mulher com medida protetiva
Preciso ter carteira assinada para receber?
Não. Empregadas, contribuintes individuais, facultativas e seguradas especiais têm proteção previdenciária. Quem não é segurada também pode ter uma proteção de natureza assistencial, de acordo com o que o STF definiu.
Preciso passar por perícia no INSS?
Segundo o parecer da AGU, não. A decisão judicial da medida protetiva basta, e o INSS só verifica se a mulher é segurada.
Por quanto tempo recebo o benefício?
Por até seis meses, que é o prazo máximo de afastamento previsto na Lei Maria da Penha. O juiz define o período conforme a necessidade de cada caso.
Posso perder o emprego por me afastar?
Não. A lei garante a manutenção do vínculo trabalhista durante o afastamento determinado pela Justiça. Se houver qualquer retaliação, procure um advogado ou a Defensoria Pública.
Posso receber esse auxílio e a pensão alimentícia dos meus filhos?
Sim. São direitos independentes. O auxílio vem do empregador e do INSS. A pensão alimentícia vem da pessoa obrigada por decisão da Justiça de família.
O agressor vai ter que devolver o dinheiro?
O governo informou que o INSS vai cobrar do agressor os valores pagos, por meio de ação judicial da Procuradoria-Geral Federal. Isso não depende de você e não atrasa o seu benefício.
Qual é o valor do benefício?
O STF descreveu o benefício como análogo ao auxílio-doença. O valor exato e o cálculo dependem da regulamentação do INSS, que ainda está sendo concluída. Por isso, vale confirmar os números atualizados antes de pedir.
Já tenho uma medida protetiva antiga. Posso pedir o auxílio agora?
Depende. Se a decisão já determinou o afastamento do trabalho, o caminho tende a ser mais direto. Se não determinou, pode ser preciso pedir ao juiz que complemente a medida. Cada caso exige análise individual.
Fontes oficiais para se aprofundar: decisão do STF no RE 1.520.468, matéria da Agência Brasil sobre o parecer da AGU e texto da Lei Maria da Penha. Se o seu benefício depender da perícia, veja também como funciona a perícia médica do INSS.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui uma análise jurídica individual — é necessária uma análise individualizada para garantir o melhor direito aplicável ao seu caso.
Não espere a regulamentação para saber o que fazer. Cada semana sem orientação pode significar uma semana sem renda. Chame a Dra. Tarcila no WhatsApp e descubra, com sigilo, se você tem direito ao benefício.




